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sábado, outubro 24, 2009

Senhor dos Anéis


Comentários Rápidos:

Cenas dramáticas apaixonantes.
Mago que merece premio nobel por frases marcantes.
Naturalidade dos personagens.
Tensão e vontade de desistir.
Final tão bonito, mas tão bonito que se torna paradoxal e causa uma estranha impressão de: "E agora, o que vai ser da minha vida?"

quinta-feira, outubro 22, 2009

Som de cinema em casa - Parte 2

Nesta parte, iniciarei os sistemas da era digital, mais interessantes (e confusos) que os anteriores.
Link para a parte 1.


Dolby Digital



E agora que começa a confusão. Lançado nos cinemas em 1992 junto com o filme "Batman: o Retorno", o sistema Dolby Digital foi lançado em sistemas caseiros em 1993 para as TVs digitais e em 1995 para DVDs.

Antes de eu explicar a mudança em "números de canais", devo explicar sobre a diferença na gravação e reprodução: o sistema Dolby Digital é, na verdade, um algoritmo matemático de compressão, ou seja, semelhante ao mp3 ele retira os sons inaudíveis (e alguns quase inaudíveis) para qua não haja desperdício de espaço em termos de memória. Com isso, criou-se um sistema prático, barato e de alta qualidade para armazenamento do som multicanal.

Pela primeira vez tínhamos uma evolução real no número de canais: agora, os canais não eram mais extraídos de uma matriz Estéreo, pois o sistema permite que todos sejam gravados e reproduzidos independentemente, criando-se o que são chamados de "canais discretos".

Desta vez, o sistema permite a gravação de 6 canais: 3 frontais (esquerdo, central e direito) e 2 surround (esquerdo e direito), além de um canal para sons graves. Com isso, crou-se o termo 5.1, ou seja, 5 canais mais 1 limitado para graves.


Posicionamento correto das caixas.
(as caixas que estão em branco pertencem a outro sistema, que será explicado mais para a frente)

Com isso, corrige-se vários "problemas" do sistema Dolby Pro-Logic:
  • No processamento Pro-Logic, a separação dos canais era sempre imprecisa. Dependendo da qualidade da gravação e do equipamento de reprodução, não se sabia exatamente quais efeitos sonoros que iriam para os canais surround e central, ficando algo "embaçado". A partir de agora, a separação dos canais é perfeitamente precisa, pois cada canal é totalmente independente do outro, criando uma ambientação muito mais realista.
  • No processamento Pro-Logic, os sons que eram direcionados aos canais surround eram limitados em frequência, ou seja, os sons mais graves e mais agudos eram "cortados", criando-se um som abafado. A partir de agora, os sons direcionados aos canais surround abrangem qualquer tipo de som, seja ele extremamente agudo ou extremamente grave (é possível, por exemplo, ouvir pratos de bateria sendo tocados atrás do espectador, algo que no Pro-Logic não era possível).
  • O canal surround deveria ser bem posicionado, caso contrário o espectador ouviria um som incômodo vindo de apenas um lado da sala, ou seja, se ele se sentar do lado esquerdo, vai ouvir somente o som surround vindo da esquerda, perdendo-se o efeito de ambiência. Isso passa a não acontecer mais, pois o canal surround foi separado em 2. Com isso, independende da sua posição na sala, o som surround, se bem gravado e editado, se espalha naturalmente, pois os sons dos canais surround esquerdo e surround direito são diferentes, além de criar uma sensação de ambientação e profundidade muito maior.
Além disso, o Dolby Digital permite a gravação de um canal para somente para sons mais graves (normalmente reproduzido pelo Subwoofer), para a criação de efeitos sonoros mais realistas, como explosões, cachoeiras, naves espaciais, som de motor de carro e caminhão etc.

Como você percebeu, eu sempre utilizo a palavra "permirte", pois o Dolby Digital tinha um "problema" que pode confundir muitas pessoas na hora de comprar um DVD na loja: da mesma forma que o Dolby Digital permite a gravação de 5 canais mais 1 para graves, ele permite a gravação de apenas 2 canais e, inclusive, somente 1!

Sim! Existem filmes em Dolby Digital que, naverdade, são Estéreo! Isso acontece exatamente graças ao fato de que Dolby Digital não se refere a quantidade de canais e sim ao formado do áudio, que cria uma compressão de alta qualidade que permite (mas não obriga) armazenar áudio multicanal.

Isso nos leva ao próximo sistema, que é o...


DTS



Sigla para Digital Theater System. Foi criado pela sociedade entre duas empresas: a NuOptix e a Universal, e lançado nos cinemas em 1993, junto com o filme Jurassic Park.

Os criadores do sistema perceberam a falha no planejamento do sistema Dolby Digital. Além disso, a compressão do áudio Dolby Digital, apesar de boa, não era perfeita. Perdia-se um pouco de qualidade, algo que era mais perceptível em filmes musicais e shows.

O DTS era, basicamente, um Dolby Digital anabolizado: DVDs gravados com DTS tinham que ter obrigatoriamente 5 canais mais o de graves! Além disso, a taxa de compressão é menor, criando um áudio final mais fiel ao gravado em estúdio.


Sistemas de 6.1 canais: Dolby Digital EX e DTS ES



Em 1999, a Dolby Labs. lança o primeiro sistema de 6.1 canais, seguido pela DTS, que são: o Dolby Digital EX e o DTS ES.

Pra não causar confusão, devo explicar que o sexto canal surround não é um canal independente, mas ele é extraído dos dois canais surround do sistema Dolby Digital comum e do DTS comum, utilizando um processamento semelhante ao Pro-Logic, só que somente para este canal traseiro.


Posicionamento correto das caixas (as duas caixas trazeiras reproduzem o mesmo som).
Observe as caixas em branco: elas representam o sistema Dolby Digital simples.

O que muda é no momento da edição, em que deve ser gravado o sinal para o sexto canal (que fica posicionado exatamente atrás do espectador), e é o processador que deve separá-lo no momento da reprodução.

Temos então: 3 canais frontais (esquerdo, central e direito), 2 surround (surround esquerdo e surround direito) e 1 traseiro.

Você deve estar achando que é exagero mas, acredite, não é! A diferença é bem perceptível. Imagine uma cena em que um avião passa por cima da câmera, indo para trás. O som deve acompanhar e seguir para trás também.

O problema é que, se for no Dolby Digital ou DTS comum, dependendo do posicionamento das caixas, esse efeito não será alcançado. O som vai passar pelas lateriais do espectador e, então, dará a impressão de ter simplesmente sumido.

Para corrigir esse "defeito" foram criados esses dois sistemas. Como o som é traseiro (e nós não temos os ouvidos virados para trás) não existia a necessidade de criar um canal traseiro totalmente independente. Por isso, esse canal é processado e extraído a partir dos dois canais surround.


Dolby Pro-Logic II/IIx/IIz



Você deve estar pensando que uma evolução do sistema Pro-Logic é uma tremenda babaquice. Lembre-se: nem tudo no mundo são gravações digitais (como os DVDs) e, por isso, havia a necessidade de melhorar o processamento do som Estéreo puro.


Posicionamento das caixas (semelhante às do Dolby Digital).
LFE: Low Frequency Efects, simbolizando o canal para graves.


Com isso, criou-se, em 2000, o sistema Pro-Logic II e, em 2002, as evoluções (Pro-Logic IIx e IIz). Resumidamente, estes processadores transformam o som original Estéreo em um som semelhante ao Dolby Digital, ou seja:
  • 2 canais surround reproduzindo sons diferentes, sem limitação nos graves e agudos;
  • Criação de um canal para graves.
Além disso, o processamento melhorou, criando uma separação mais precisa e realista do que o Pro-Logic "normal".


Dolby True HD e DTS-HD



Tanto no Dolby Digital como no DTS o áudio é comprimido digitalmente para caber no disco. Com a evolução das mídias (leia-se Blu-Ray), não havia mais a necessidade de comprimir o áudio (e, portanto, perder qualidade sonora).

O Dolby True HD e DTS-HD nada mais são do que o Dolby Digital e DTS gravados sem compressão, ou seja, com a fidelidade máxima possível, ficando idêndico ao som de estúdio.

Com isso, alguns detalhes sonoros, antes imperceptíveis, agora são possíveis de ser ouvidos. A diferença é mais perceptível em Blu-Rays musicais, onde os sons dos instrumentos ficam com um timpre praticamente idêntico ao som natural.


Desculpem pela extensão, mas realmente existe muita coisa para ser explicada. Acredite, pulei muitos outros detalhes que achei desnecessário explicar. Espero que agora você saiba como escolher melhor um equipamente de Home Theater e como comprar um DVD ou Blu-Ray compatível. Ou não...

Até mais!

Link recomendado: Blog do Jotacê.

Fontes:
http://lazer.hsw.uol.com.br/som-de-cinema3.htm
http://frank.mtsu.edu/~smpte/ninties.html
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/08/19/mixagem-de-audio-em-cinema-e-home-theater/
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2008/11/17/ouvindo-musica-com-dolby-prologic-iiiix/

http://www.fazendovideo.com.br/vtsom6.asp
http://www.cefala.org/~leoca/dolby/dolby01.html

quarta-feira, outubro 21, 2009

Som de cinema em casa - Parte 1

Tudo bem, este blog não é sobre tecnologia. Porém, creio que este assunto seja extremamente útil para os amantes de Cinema de boa qualidade, que sabem que não somente a imagem como também o som é importante para criar a imersão no filme e também para permitir vermos o filme como o diretor o idealizou.
Portanto, criei este tutorial para você poder entender a diferença entre os nomes das tecnologias de "som multicanal" e não ser enganado, pois existe muita diferença entre as tecnologias.


Som Estéreo

Antes de mais nada, devemos lembrar que o Som Estéreo caseiro nasceu primeiro na música. Antes do final da década de 1950, todas as músicas, depois de gravadas, eram unidas numa única trilha, que depois era gravada nos discos da época para serem reproduzidos. A partir de 1957, o som começou a ser editado em duas trilhas, e não apenas uma, comm era antes.

A idéia original da técnica é simular a movimentação e posicionamento do som com apenas duas caixas, criando "caixas acústicas fantasmas móveis" entre as duas.


Posicionamento ideal das caixas acústicas deve ser bem afastadas (mas nem tanto), e viradas para o ouvinte

A trilha do filme (ou a música) era gravada em diversas trilhas (normalmente entre 8 e 16), uma para cada instrumento/efeito sonoro. No momento da edição final, os instrumentos/efeitos sonoros eram "posicionados" no espaço entre as duas caixas da seguinte forma:
  • Um som que viesse do lado esquerdo seria reproduzido somente na caixa esquerda, e um som que viesse do lado direito seria reproduzido somente na caixa direita;
  • Um som que viesse mais-ou-menos da esquerda seria reproduzido com um volume mais alto na caixa esquerda e mais baixo na direita, dando a ilusão de que o som vem de uma posição um pouco deslocada, como uma "caixa acústica fantasma" (ídem para o lado mais-ou-menos direito);
  • Um som que se movimenta da esquerda para a direita seria reproduzido na caixa esquerda com o volume diminuindo, e na direita com o volume aumentando;
  • Um som que viesse do centro seria reproduzido com um volume idêntido nas duas caixas, de forma que acaba criando a ilusão de uma "caixa fantasma" no meio das duas.

Com o Som Estéreo, criou-se o que ficou conhecido como palco sonoro, que seria a ilusão da posição do som no espaço. Uma gravação bem feita permite distinguir a posição de cada instrumento/efeito sonoro produzido pelas caixas.

Na década de 1960 foi que o Som Estéreo se popularizou. Porém, somente na década de 1970 foi que ocorreu o auge na técnica de gravação do Som Estéreo. Os instrumentos eram bem posicionados no palco sonoro, além de efeitos (bem) utilizados como reverberação e eco, utilizando a posição das duas caixas para criar a sensação de "som rebatendo" (a voz do intérprete se repetia diversas vezes nas laterais, criando a sensação de profundidade).

Porém, o Som Estéreo demorou para atingir a reprodução de filmes e programas de televisão. O primeiro videocassete Estéreo surgiu em 1978, sendo que as primeira transmissões de TV em Estéreo só iniciaram em 1986.


Dolby Surround





Em meados da década de 1970, a empresa Dolby Laboratories criou sistemas que melhoravam a qualidade da gravação e reprodução sonora dos filmes nas salas dos cinemas. Após a popularização deste, ela criou um outro sistema, que seria o "sistema multicanal definitivo": Dolby Stereo (não confundir com o Som Estéreo comum).

A idéia do Dolby Stereo era criar um som multicanal (na época, 4 canais) a partir de apenas 2 através de um algoritmo analógico. Com isso, criou-se um sistema prático, barato e funcional e que, acima de tudo, manteve a qualidade sonora.


Logotipo original usado no cinema. Ainda é possível encontrá-lo em algumas capas de VHS.

Depois do sucesso nos cinemas deste sistema, criou-se, em 1982, o Dolby Surround, que nada mais era do que o processador do Dolby Stereo mais simplificado, para ser utilizado em casa.

Diferente do som do cinema, o Dolby Surround reproduzia apenas 3 canais: 2 frontais (esquerdo e direito) e 1 surround (este último reproduzido em duas caixas ao mesmo tempo).

A idéia do Dolby Surround era a seguinte: através de uma técnica de gravação e reprodução chamada "matrixing" criava-se um terceiro canal "embutido" nos dois canais estéreo.

Processamento Dolby Surround original:
o som original é em Estéreo, mas o processador "extrai" o som surround


Este canal (Surround) deveria se dispersar pela sala, ou seja, ao contrário dos canais frontais, o canal Surround deve ser disperso e dar a sensação de ser algo "distante", para criar a "ambientação", ou os "sons de fundo" (que jamais devem roubar a atenção dos canais frontais).


Dolby Pro-Logic




O Dolby Surround tinha uma falha: se a sala fosse muito grande, e o espectador não sentasse exatamente em frente a tela, tinha-se a sensação de que os "sons centrais", principalmente as vozes dos personagens, estavam deslocados, ou seja, parecia que a voz não vinha da direção da tela, mas de uma posição ao lado dela (uma sensação bastante esquisita).

Para corrigir isso, a Dolby lançou, em 1987, o processador Dolby Pro-Logic: este sim criava 4 canais a partir de 2, que eram: 3 frontais (esquerdo, central e direito) e 1 surround.


Exemplo: cada cor indica um canal diferente.
Vale lembrar: o Pro-Logic no cinema era chamado de Dolby Stereo.

Como o Dolby Surround original, o áudio Dolby Pro-Logic era gravado como se fosse Estéreo (com apenas dois canais) e, depois, no momento da reprodução, os canais surround e central eram "extraídos" através do processamento.


Processamento Pro-Logic

Com este processador, as falas dos personagens ficavam muito mais claras e sempre posicionadas exatamente na direção da tela, independente da posição do espectador.


Com ainda há bastante assunto (ainda nem entrei na era digital), continuarei num próximo post. Espero que este texto esclareça a confusão de siglas e tecnologias, por isso, é inevitável que o texto fique um pouco grande. Até mais!

Continua na parte 2.

Fontes:
http://lazer.hsw.uol.com.br/som-de-cinema3.htm
http://eletronicos.hsw.uol.com.br/som-surround4.htm
http://www.audioclicks.com.br/blog/2009/10/01/estereo/
http://www.cinedie.com/som.htm
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2007/04/20/fantasound-de-walt-disney-foi-o-inicio-do-som-estereo-no-cinema/
http://super.abril.com.br/ciencia/como-funciona-som-estereo-441989.shtml
http://www.fazendovideo.com.br/vtsom6.asp
http://www.cefala.org/~leoca/dolby/dolby01.html

Imagens:
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2007/06/22/aprenda-a-posicionar-e-ajustar-suas-caixas-de-som/
http://www.audiorama.com.br/arquivoconfidencial/SURROUND.htm
http://www.audioexcellence.com.br/caixas_acusticas_comoposicionar.php
http://www.getprice.com.au/blog-hdtv-glossary-introduction.htm
http://www.practical-home-theater-guide.com/dolby-sound.html
http://www.cinemasource.com/products/av_process/about/about_avproc.html
http://www.tweaktown.com/articles/2833/dolby_labs_interviewed_regarding_pc_audio/index2.html
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a9/Dolby_Surround_TV4.jpg
http://www.infomercial-hell.com/blog/2006/07/18/stereo-for-tv-infomercials/
http://www.hometheaterhifi.com/volume_11_2/denon-avr-3805-receiver-6-2004.html

http://en.wikipedia.org

terça-feira, outubro 20, 2009

Visão Superficial do Cinema Nacional Contemporâneo


Por: Maurício O. Freire

Há anos o cinema nacional deixou de ser aquele que costumava ser até a década de 1980: produções criativas, porém pouco caprichadas no que diz respeito à qualidade dos roteiros e habilidade e capacidade dos atores.



É indiscutível, também, o fato de a “era” das Pornochanchadas ter sujado a imagem das produções nacionais, que passaram a ser mal-vistas tanto aqui como lá fora, com atrizes e atores medianos (muitos bons que, felizmente, conseguiram sair desse ramos, passando a atuar em produções mais “decentes” e alcançando, até mesmo, o estrelato). Até hoje, para muitos, filmes nacionais são sinônimo de “pornografia” e muito palavrão. Não tiro totalmente a razão desses até porque, ainda hoje, temos visto um apelo grande em torno do erotismo e muitos diálogos vexatórios – e até mesmo constrangedores, dependendo do ambiente em que nos encontramos – que acabam, muitas vezes, por tirar o mérito de produções com qualidade suficiente para se destacar sem recorrer à apelação.

Mas há de se levar em consideração o fato de que muitos filmes nacionais trazem muito mais do que mero entretenimento ao expectador. Há uma infinidade deles, repleta de conteúdo, que nos fazem, ates de mais nada, refletir sobre o cotidiano do povo brasileiro, em suas diferentes culturas, espalhados por diferentes regiões do país. Hábitos e curiosidades que são ignorados por aqueles que vivem alheios ao que existe a sua volta. Há um mundo vasto ao nosso redor, povoado por pessoas de diferentes raças, diferentes comportamentos e gostos. E é justamente isso o que o cinema nacional – me refiro aqui aos filmes de qualidade – muitas vezes procura mostrar.
Eu, como um bom fã de filmes brasileiros que sou e, também, como grande observador que me considero, venho sempre buscando aumentar mais a minha lista de filmes assistidos, sempre atento a novas produções. E posso afirmar que tenho visto um festival grandioso, onde o principal tema é o ser humano em sua essência: seu vício, sua fraqueza, sua cobiça, seu egoísmo, sua compaixão e sua insensibilidade.

E não é suavizando situações dramáticas ou escondendo cenas tórridas que a natureza humana nos pode ser apresentada. É preciso um certo grau de realismo, o que exige maturidade do expectador – que deve ter a mente aberta para novas experiências e interesse em não apenas buscar entretenimento, mas manter os olhos abertos para a realidade que, muitas vezes, pode estar inserida em uma história de ficção.

Há muitos exemplos bons do que eu acabei de dizer, e que poderiam ser recomendados por mim, mas vou citar apenas alguns que considero ideal para aqueles interessados em enxergar o cinema nacional com outros olhos, e ver que ele também pode ser sinônimo de cinema de qualidade, não só pelos bons roteiros e atuações primorosas, mas pela visão realista que ele nos traz de nos mesmo (nós como brasileiros e, principalmente, como seres humanos).

– Dois Perdidos Numa Noite Suja (Filme de 2003, filmado em Nova York, porém com atores brasileiros e produção nacional).






















O filme, com direção de José Joffily, conta a história de Rita (Débora Falabela) que caracterizada como homem e adotando o nome de Paco, passa a se virar na grande metrópole procurando clientes homossexuais e oferecendo programas rápidos por alguns trocados. Tem um sonho de se tornar famosa e, é após encontrar Tonho (Roberto Bomtempo), um homem mais velho, porém em situação talvez pior que a sua, que ela passa a se questionar se essa é realmente a vida que quer, e se tudo isso realmente vale a pena. Porém fica a pergunta: qual a melhor opção para quem não tem muitas opções?

– Casa de Areia (Filme de 2005 com Fernanda Monte Negro, Fernanda Torres, Stênio Garcia e Seu Jorge e direção de Andrucha Waddington).






















Após serem levadas por seu marido a um local deserto do sertão nordestino para viver, Áurea (Fernanda Torres) e sua mãe, Dona Maria (Fernanda Monte Negro), se vêem presas, sem auxílio e sem perspectiva nenhuma de vida; mais ainda após o marido de Áurea, que está grávida, morrer e as duas terem de se virar para não passarem fome enquanto torcem para não terem seu único refúgio tomado pela areia do deserto.

– A Casa de Alice (Filme de 2007 com direção de Chico Teixeira).






















Alice (Carla Ribas) é uma mãe de família que mora na periferia da cidade de São Paulo. Trabalha como manicure e procura levar a vida do melhor jeito possível, lidando com um casamento fracassado, fechando os olhos para as traições do marido e não deixando de lados seus próprios desejos e necessidades. Tem em sua mãe a ajuda indispensável para cuidar da casa e dos filhos problemáticos enquanto está fora.

– Anjos do Sol (Filme de 2006, com Antônio Calloni, Chico Diaz, Otávio Augusto, Vera Holtz e direção de Rudi Lagemann).






















O Filme brasileiro mais triste que eu vi até agora. Conta o drama real de meninas que são vendidas para serem escravas sexuais em regiões isoladas do nordeste brasileiro. E mostra com que frieza e crueldade o homem é capaz de usar a inocência e fragilidade de outro ser para satisfazer as suas próprias vontades.


A lista é grande. Para continuar eu teria que dividir o Post em duas partes. Por isso, cito apenas alguns outros, sem entrar em maiores detalhes:

– O Cheiro do Ralo
– Amarelo Manga
– Baixio das Bestas
– Estômago
– Otávio e as Letras
– Saneamento Básico, o Filme
– Nina
– Querô
– Carandiru
– Cidade de Deus
– Ultima Parada 174

Aguardo comentários e também sugestões. O canal está aberto para aqueles que queiram expor suas opiniões. Até a próxima.

Saneamento Básico, O Filme

Por: Maurício O. Freire






















Para desmentir a lenda de que eu só gosto de filmes nacionais e dramáticos, dedico esse Post a um representante do gênero “Comédia”. Um ótimo representante por sinal.
Esse filme de 2007 é escrito e dirigido por Jorge Furtado e tem um elenco de peso, composto por Fernanda Torres, Wagner Moura, Lazaro Ramos, Bruno Garcia, Camila Pitanga, Paulo José e Tonico Pereira.
















A história mostra, de forma hilária, como um grupo de pessoas, moradores de uma vila pobre, se une com um propósito de conseguir o que a prefeitura do local vinha relutando em fazer há muito tempo: construir uma fossa para tratar de um problema de esgoto a céu aberto. Descobrem, porém, que o governo reservara uma verba no valor de R$ 10.000,00 para a produção de um filme de ficção, daí surge a idéia dos moradores de usar parte desse dinheiro para a construção da fossa e o restante na elaboração de um filme sobre essa reforma.
A parte cômica fica por conta do rumo que o projeto do filme toma, tendo a inserção de um monstro na história que acaba por atacar e matar a donzela indefesa. Por fim, acabam criando um verdadeiro filme trash, interpretado por atores totalmente despreparados, sem nenhuma noção técnica e que acabam sem motivação para concluir o projeto. Até que aparece Zico, interpretado por Lazaro Ramos que, com um pouco de conhecimento cinematográfico, acaba retomando a confiança do grupo e os ajuda a salvar o projeto.















Não há muito o que falar da excelente atuação de cada um dos atores. Lazaro Ramos continua arrancando ótimas gargalhadas do público. Fernanda Torres e Wagner Moura estão melhores do que nunca (ele, por falar nisso, não exagera no humor, abusando de trejeitos, como costuma fazer). Camila Pitanga surpreende mais uma vez, mostrando que realmente sabe fazer humor, assim como Paulo José, que vive um dos personagens mais engraçados do filme (seu Otaviano, pai da personagem de Fernanda Torres).
O roteiro é muito bem elaborado não fica cansativo em momento algum. São poucos aqueles que conseguem segurar o humor num filme do começo ao fim. E Jorge Furtado faz isso de forma brilhante. O resultado é um humor leve, nada apelativo, recomendado para toda a família, como poucos que vemos por ai.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Análise: Elefante




Ficha técnica

Título original: Elephant
Gênero: Drama
Duração: 81 min
Origem: EUA - Alemanha
Estréia - EUA: 24 de Outubro de 2003
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Gus Van Sant
Roteiro: Gus Van Sant
Produção: Dany Wolf

Análise

Por mais que um filme seja violento e pesado, a sensação, normalmente, é que há algo de falso nas cenas. Isso não acontece em Elefante. Na verdade, o filme nem é tão pesado assim, se formos levar em conta a quantidade de sangue vista no filme. Nele, não terá nada que um adolescente de 12 anos já não tenha visto num filme exibido em TV aberta.

Não, o problema não é este. Justamente por ser um filme muito mais realista, visceral, filmado sempre com longos planos-sequências*, sem iluminação artificial e trilha sonora, é que ele acaba se tornando muito mais angustiante.



O filme mostra um dia comum numa escola nos Estados Unidos, do que seria o equivalente ao Ensino Médio aqui no Brasil. Porém, os mesmos momentos são filmados de acordo com vários pontos de vistas. A câmera, sempre bem próxima ao personagem de quem o ponto de vista está sendo mostrado, dá a sensação de estarmos na pele de cada um.

É um filme belíssimo, bastante introspectivo. Você se sente no corpo de cada personagem que tem sua história contada. Pra aumentar mais ainda essa sensação, a edição de som amplifica nos momentos cruciais. Há também o recurso da câmera lenta, bem sutil, muito bem usado, para demonstrar momentos(curtos) de felicidade.

É impressionante, também, ver a naturalidade dos atores em cena. Pra quem não sabe, todos os atores são amadores, e interpretam eles mesmos.



Conforme o filme se desenvolve, vamos tentando encaixar melhor as peças e memorizar os personagens e cenas. Como o mesmo dia e mesmos momentos são mostrados de diferentes pontos de vistas, fica bastante informação para digerir, o que deixa o filme ainda melhor.

É interessante também observar os temas que são abordados. Como o filme mostra diferentes "tipos" de pessoas, vemos modos de vida, pensamentos, conceitos, preconceitos e situações que nossos olhos não costumam ver, mas que são muito comuns numa escola de classe média.

Caso você tenha se perguntado sobre a origem do título, aqui vai a explicação:

Primeiramente, é preciso entender o porquê do título Elefante . O nome faz referência a uma parábola budista na qual vários cegos tocam um elefante, e cada um o descreve de acordo com a parte que tocou: a pata, a cauda, a orelha ou a tromba. Mas nenhum é capaz de imaginar o animal em sua totalidade. A nós, é mostrada a “visão” de todos os cegos (uma de cada vez) da parábola, sendo assim, possível tirar nossas próprias conclusões e entender melhor o elefante. Pois, quando se tem a visão de um só dos lados da história, não é possível compreender o que está acontecendo nem o porquê. Fórum Cinema em Cena

Ah! Esqueci de um detalhe importante: o filme é baseado na tragédia de Columbine, em que um aluno aparentemente comum entra armado e mata muitas pessoas. Quase esqueci disso...

A partir daí, vemos um quase filme de terror. As situações são tão intensas e tão assustadoramente realistas, que leva quarquer coração à boca. Se a idéia do filme era boa, com certeza, no clímax, ela se completa, e temos um dos melhores filmes sobre "um dia comum porém realista numa escola".

Um filme para poucos? Não sei, mas um excelente filme, com certeza.

Nota: 10

*Plano-sequência: cena filmada sem cortes por um longo período de tempo, em que a câmera se movimenta para observar a situação exibida, como se fosse uma pessoa andando e observando.
Fonte das imagens e ficha técnica: Cinema com rapadura.



Trailer


domingo, setembro 27, 2009

Titanic: A Grande Injustiça

Por: Maurício O. Freire
















Essa manhã me peguei assistindo a mais uma exibição, pela TV Record, de uma das grandes obras do cinema americano: Titanic, de 1997 de James Cameron. E, enquanto me atia aos detalhes das cenas trágicas, ricas em detalhes e com uma carga dramática impressionante, me parei para refletir sobre o quão injustas muitas pessoas foram com esse filme a partir do momento que a “grande febre” foi perdendo intensidade.

Quem é que não se lembra do fenômeno que o filme foi na ocasião de seu lançamento – cinemas abarrotados, filas gigantescas em todas as sessões. Na TV, em muitas emissoras, eram exibidos documentários diversos sobre a tragédia ocorrida no inicio do século passado e que deu origem ao filme, e como o mesmo fora produzido (todo o esforço empregado pela produção, o orçamento necessário e etc). Muitos o consideravam o melhor filme de todos os tempos, e afirmavam se emocionar toda vez que o assistiam; inclusive gente famosa e formadora de opinião.

Sendo assim, por que, hoje, muitas pessoas nem se quer se lembram dele quando questionadas sobre quais filmes consideram os melhores já produzidos? Por que ele deixou de pertencer a listas dos mais bem elaborados e notáveis, na opinião geral? Por que criticam emissoras como a Record sempre que elas decidem exibi-lo, novamente, em sua grade de programação?

Talvez a mesquinhez de pessoas que se esforçaram em encontrar erros (pequenos) na obra, tentando provar que ela – apesar de grandiosa – ainda é imperfeita, tenha contribuído, em parte, para que ela caísse no esquecimento. Mas ai eu pergunto: é possível criar uma produção dessa grandeza, utilizando o mínimo de recursos gráficos (lembremos que uma réplica imensa do navio foi construída no México, com um tanque gigantesco) de forma que ela fique 100% perfeita? Sem falarmos na qualidade da história, que divertiu e emocionou talvez a todos que acompanharam as quase três horas de projeção.

Que ser humano, por mais talentoso que seja, e por mais recursos disponíveis que possa empregar, é capaz de atingir a perfeição? Me refiro, aqui, principalmente ao ramo cinematográfico. É uma pena quando as pessoas deixam de enxergar o conjunto da obra, sua intenção e todo o esforço empregado e passam a ver apenas os erros, criticando e questionando a capacidade dos seus realizadores. A essas pessoas, eu gostaria apenas de dizer: tentem fazer melhor!

E, se tivesse que escolher uma palavra diferente das que utilizei anteriormente para descrever o filme Titanic, eu escolheria: memorável.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Curta de animação surrealista: Neighbours




Norman McLaren desenhando no filme

O projeto Cineclube, da cidade de Santo André (SP), tem uma proposta interessante: divulgar filmes fora do circuito comercial. Filmes independentes, que jamais seriam vistos por uma pessoa comum, pois são filmes fora de catálogo.

Numa das vezes que eu e um amigo meu fomos, assisti a um documentário sobre Norman McLaren, um diretor de curtas metragens de animação.

Pioneiro do cinema e fundador do departamento de animação do National Film Board of Canadá (NFB/ONF), Norman McLaren (1914–1987) é um dos maiores nomes da história do cinema de animação; um artista cujo brilho, criatividade e consciência social continuam a influenciar os cineastas até hoje. Desde as primeiras experiências cinematográficas na Escócia em 1933 até seu último filme no NFB/ONFem 1983, o conjunto das obras de McLaren revela talento e criatividade extraordinários, bem como profundas raízes humanistas.

McLaren era artista complexo e criador prolífico, e abriu novos caminhos e possibilidades dentro de um leque amplo de mídias e estilos. Foi um mestre do “filme direto” – ao desenhar e riscar no celulóide, criando até mesmo sons sintéticos ao desenhar sobre pistas ópticas sonoras. Abriu caminho na técnica chamada pixilation, na qual atores e objetos são filmados quadro a quadro e transformados em marionetes. Foi pioneiro na “música visual”, explorando novas maneiras para criar representações visuais da música que ele tanto amou, e outras vezes explorou o movimento puro. Cinema abstrato, surrealista, dança – nenhuma área ficou ausente da incansável imaginação de McLaren.

Norman McLaren, acima de tudo, era movido por um profundo compromisso com o pacifismo, os direitos humanos e a justiça social. Da mesma maneira como foi um inovador na forma, ele liderou a fusão da arte com a consciência social, e este legado inspirou gerações de cineastas engajados em questões sociais.

Fonte: Canadá Internacional

Um dos curtas que me chamou a atenção foi Neighbours. Feita com a técnica de Pixilation (descrita acima), a animação mostra como uma amizade entre vizinhos pode transformar-se em inimizade pela cobiça material e "territorial" - neste caso, uma flor que nasce entre o gramado das duas casas(!).

É interessante extrapolar a idéia do filme para algo maior, pois ele faz uma crítica ao instinto humano de procurar motivos (ou desculpas) para entrar em brigas (ou guerras).

Uma ótima animação, inovadora (mesmo para os tempos atuais), surreal, bem-humorada e imprevisível. Ganhador do Oscar de 1953.



Se você curtiu, fique tranquilo, pois no Youtube tem muito mais trabalhos de Norman McLaren!

Abraços!

Links recomendados:
Mini-críticas para mini-filmes: recomendação e exibição de curtas.
Animamundi: assista algumas das animações premiadas no Animamundi.
Portacurtas: portal de exibição de curta-metragens brasileiros.

domingo, setembro 20, 2009

Análise: Up - Altas Aventuras


Título original: Up
Gênero: Animação
Duração: 96 min
Origem: EUA
Estréia - EUA: 29 de Maio de 2009
Estréia - Brasil: 04 de Setembro de 2009
Estúdio: Pixar Animation Studio/Walt Disney Pictures
Direção: Pete Docter, Bob Peterson (Monstros S.A)
Roteiro: Bob Peterson
Produção: Jonas Rivera

Sinopse

"Os estúdios Walt Disney Pictures e Pixar Animation levam as plateias do cinema para bem alto e bem longe com seu show de fantasia "Up – Altas Aventuras". Apresentado em 3D, o filme conta a edificante história de um velhinho viúvo chamado Carl Fredricksen, com seus setenta e poucos anos de idade, passou a vida sonhando em explorar o planeta e viver plenamente a vida. Até que um plano mirabolante invade sua cabeça teimosa: fazer sua casa inteira levantar vôo e transportá-la dos Estados Unidos a um lugar em meio às montanhas da floresta venezuelana. Um erro de percurso faz sua casa cair e ele tem de seguir sua viagem a pé, com a ajuda de um escoteiro gordinho e muito dedicado. Mas nessa jornada eles vão enfrentar muitos vilões, bestas e situações absurdas."

Análise

Atualmente, não se discute se um filme da Pixar é bom ou ruim. Se discute se ele é melhor ou pior que Wall-e. Você pode duvidar da importância de Wall-e para o cinema mas, com toda certeza, foi um filme ousado, que revolucionou a forma de se fazer animação. Por isso, está sendo usado como referência.

Quanto a Up, alguns críticos influentes, como Pablo Villaça, dizem ser inferior ao Wall-e. Outros, como o Érico Borgo, do Omelete, disse que "provavelmente, a Pixar nunca vai atingir seu auge".

Eu, como fã de animação e como fã da Pixar, devo minha opinião: não é melhor que Wall-e e nem que Ratattouile, mas é melhor que Monstros S.A. e Procurando Nemo, por exemplo.

O início, que mostra a vida de Carl desde a infância até velhice, é de uma sensibilidade incrível. É sublime, espetacular.

Depois desta pequena, porém importante, introdução, o filme mostra um dia comum na vida de Carl. E, como de costume, o imprevisível: é interessante a cena que mostra o local onde Carl vive, causando uma surpresa - sendo inclusive uma cena engraçada.

Um pouco depois, quando a viagem propriamente dita começa, o filme muda de ritmo e clima, mas sempre com a sutileza característica da Pixar. Ele fica bem mais alegre - e também divertido e cheio de situações perigosas, típicas de filmes de aventura.




É incrível, também, a capacidade deles de criar personagens marcantes. Além do velhinho e do escoteiro mirim Russel, aparecem Kevin (uma ave gigante que é fêmea, apesar do nome) e Dug, um cão carente (aparentemente da raça Golden) e que fala (de uma forma curiosa e interessante, que não vou contar aqui).




Neste momento, surgem vários outros personagens - incluindo vários cachorros "falantes". A quantidade de cachorros falantes, e seus comportamentos, dão a sensação do filme ser mais infantil do que Wall-e - não que isso seja um defeito.

O único defeito, que faz com que o filme não seja tão bom quanto Wall-e, é a previsibilidade em alguns trechos do filme. Nada demais, afinal, as qualidades são tantas que enfraquecem os defeitos.

É interessante também observar a simbologia presente em algumas cenas: a casa voanto, que representa a liberdade alcançada na terceira idade, e a cena em que os móveis vão sendo jogados fora, que representa a libertação do passado - esta segunda, inclusive, é sublime.

Há um outro detalhesinho também, mas nada muito importante, que devo citar: a qualidade da animação da Pixar. Simplesmente embasbacante! O comportamento dos cães é idêntico aos cães reais. Vale lembrar que o filme está sendo exibido em 3D, que faz uma diferença grande, aumentando muito a imersão do filme.

Conclusão

É um excelente filme, recomendadíssimo para todo tipo de público, mas principalmente, pra quem é fã de animação. Apesar de não ser tão revolucionário quanto Wall-e, prova que a Pixar ainda tem muito talento, e que eles não dependem de "continuações" nem de "contos de fadas adaptados para o cinema", e que a ousadia continua sendo uma característica importante em suas criações.

Nota: 9

Trailer:
Youtube

Fontes:

Imagens, ficha técnica e sinopse:
Cinema com Rapadura

Análises comentadas no post:
Omelete
Cinema em Cena

terça-feira, agosto 25, 2009

Franquia Star Trek nos cinemas - Parte 1

Ultimamente, graças ao lançamento recente do filme "Star Trek" nos cinemas, a franquia, tanto cinematografica quanto as séries de TV, provavelmente, devem estar sendo desenterradas por muita gente (como é o meu caso).

Muitos não conhecem a série, ou os filmes, e nem fazem idéia do que seja. Um texto "bem resumido", do site Jovem Nerd, explica tudo o que é necessário para adentrar neste universo. Outra recomendação que faço é o podcast do Cinema com Rapadura.

Pra quem não sabe, Star Trek (ou Jornada nas Estrelas) nasceu bem antes de Star Wars (Guerra nas Estrelas) e tem uma premissa bem diferente. A série conta o futuro utópico da humanidade, onde uma nave, capitaneada por James T. Kirk, viaja o universo com o "simples" motivo de exploração científica, "indo onde nenhum homem jamais esteve".

Meu objetivo aqui é me ater aos filmes lançados para o cinema. Como é de se esperar, os filmes da série clássica são mais voltados para quem já assistiu a série, mas isso não impede quem não conhece de assistir - os filmes raramente criam situações que somente os fãs entendem.


1979 - Jornada nas Estrelas: O Filme


Ficha Técnica:
Título Original: Star Trek: The Motion Picture
Tempo de Duração: 130 minutos
Direção: Robert Wise
Roteiro: Harold Livingston, baseado em estória de Alan Dean Foster
Produção: Gene Roddenberry

Sinopse

Uma nuvem gigantesca vai em direção à Terra, destruindo tudo o que passa por perto. Quando percebem que a Terra corre risco de sumir do universo, a Federação decide mandar a melhor nave de sua frota - a Enterprise - para descobrir o que é a "nuvem" e tentar impedir a destruição do planeta.

Trailer


Considerações

Apesar da maioria dos fãs não gostar muito deste filme, este é o único que contém o espítito de exploração da série.

O filme lembra "2001", tanto no ritmo e visual quanto no conteúdo, mas sem a mesma profundidade - não que isso seja um defeito.

Um ótimo filme, com efeitos especiais impressionantes e roteiro bem aos moldes da "exploração espacial científica". O filme tem outros méritos, como apresentar, pela primeira vez, a nave Enterprise de forma que pareça realmente grande - exibindo detalhes nunca antes vistos - e tem, também, a trilha sonora de Jerry Goldsmith, que acabou sendo mais lembrada, inclusive, que a trilha da série clássica.

Nota: 8

5 cenas interessantes:
- A exibição da Enterprise enorme, cheia de detalhes
- Ver Spock chorando
- Spock entrando no centro da nuvem
- Final, no momento em que descobrem o que é a V'Ger
- Ver McCoy mau humorado


1982 - Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan

Ficha Técnica:
Título original: Star Trek II: The Wrath of Khan
Duração: 113 min
Direção: Nicholas Meyer
Roteiro: Harve Bennett (história), Jack B. Sowards (história), Samuel A. Peeples (não creditado), Nicholas Meyer

Sinopse

Este filme marca o início da Trilogia Genesis. É século 23. A USS Entreprise, espaçonave da federação, está realizando manobras de treinamento e o almirante James T. Kirk parece conformado com o fato de que esta pode ser a última missão de sua carreira. Mas Khan está de volta. Acompanhado de seu exilado bando de super homens genéticos, Khan, brilhante renegado da Terra no século 20, tomou a Estação Espacial Regula Um, roubou um secreto dispositivo chamado Projeto Gênesis, apoderou-se de outra nave da Federação e agora planeja preparar a mais mortífera de todas as armadilhas para o seu velho inimigo Kirk... mesmo ameaçando causar um apocalipse galático.

Trailer


Considerações

O filme resgata personagens de um episódio da série clássica, apresenta problemas familiares do capitão, detalhes do passado de alguns personagens, além de ter o ritmo e o humor da série clássica.

Com essas idéias no filme, não tinha como errar. O filme tem um roteiro interessante, bem construído (e sem furos), apesar de simples. Junte a isso o vilão mais carismático "do universo" ("Como dizia um ditado Klingon: a vingança é um prato que se come frio", diz ele em determinado momento do filme).

O filme exibe, também, batalhas espaciais tipicamente "navais" e emocionantes (nunca antes vista na série), momentos bastante tensos, além do final espetacular e de uma trilha sonora excelente e, pronto, temos um dos melhores - senão o melhor - filme de Jornada Nas Estrelas.

Nota: 9


--- Spolier ---
O "final espetacular" de que me refiro é o sacrifício feito por Spock para salvar a tripulação, algo totalmente inesperado, mesmo para "não fãs". Temos uma das cenas mais bonitas da saga, que é Spock e Kirk conversando sobre amizade através de um vidro, antes da morte de Spock.
--- Fim do Spoiler --


5 cenas interessantes:
- Teste Kobayashi Maru
- Cavernas no interior do planeta Genesis
- Batalha entre as duas naves (Enterprise e a nave capturada por Khan)
- Explosão da cápsula Genesis no espaço e a respectiva fuga da Enterprise
- Final dito acima (o Spoiler) e suas concequências de partir o coração


1984 - Jornada nas Estrelas III - À Procura de Spock

Ficha Técnica:
Título Original: Star Trek III: The Search for Spock
Direção: Leonard Nimoy
Roteiro: Harve Bennett
Produção: Harve Bennett

Sinopse (um grande Spolier)
Segunda parte da Trilogia Genesis. A tripulação volta e inicia, como de costume, reparos na nave. O problema é que a derrota de Khan e a criação do planeta Genesis não representaram grande vitória, pois Spock morreu e McCoy ficou inexplicavelmente louco. Com a chegada surpresa de Sarek, todos descobrem que, na verdade, McCoy está hospedando a essência do amigo Spock. Agora todos deverão partir, às pressas, com a U.S.S. Enterprise roubada para tentar salvar os dois amigos que sofrem com essa inesperada transformação.

Trailer


Considerações

O filme é uma continuação "obrigatória" ao segundo. O filme é bem interessante, mas tem algumas situações absurdas que me incomodam, como:


--- Spoiler ---
- O teletransporte de personagens importantes para o planeta Genesis, antes da nave explodir - ou seja, ninguém que estava na nave era importante;
- A forma como o sequestro da Enterprise foi feito;
- A sobrevivência de Spock no planeta Genesis sozinho;
-- Fim do Spoiler --


Cenas como as citadas anteriormente tornam o filme mais inverossímil. A troca da atriz que interpreta a tenente Saavik também foi algo que me incomodou - a anterior era "bem mais vulcana" que a nova.

Temos, novamente, um ótimo vilão: Cristopher Lloyd interpretando um Klingon. O filme segue o ritmo proposto pelo anterior, além de conter uma "continuação" da trilha sonora, ótima. O final do filme, como de costume, é excelente - a melhor parte do filme.

Nota: 7


5 cenas interessantes (todas são Spoilers!) :
- Ver Spock crescendo rapidamente (e passando pela puberdade)
- O sequestro e a fuga da Enterprise (e a sabotagem de uma outra nave...)
- Ver o vilão (um Klingon) ser representado por Cristopher Lloyd
- A luta final entre Kirk e o Klingon, enquanto o planeta se acaba, como num apocalipse
- Ver McCoy meio doido no inicio do filme


1986 - Jornada nas Estrelas IV - A Volta Para Casa

Ficha Técnica:
Título original: Star Trek IV: The Voyage Home
Duração: 119 min
Direção: Leonard Nimoy
Roteiro: Leonard Nimoy (história), Harve Bennett (história, roteiro), Steve Meerson, Peter Krikes, Nicholas Meyer

Sinopse

Última parte da Trilogia Genesis. Tripulação da U.S.S. Enterprise ainda vaga pelo espaço, em pleno século 23, e uma misteriosa força alienígena está ameaçando evaporar os oceanos e destruir a atmosfera da Terra. Numa frenética tentativa de salvar a humanidade, Kirk e seu grupo precisam voltar no tempo, na São Francisco de 1986, onde eles encontram um mundo totalmente caótico. O segredo para salvar o planeta está em duas baleias.

Trailer


Considerações

O filme, inevitavelmente, acaba abusando da comédia. Apesar de isso assustar alguns fãs, em nenhum momento o filme ficou "galhofa" (como diria o Jovem Nerd). Pelo contrário: as situações são totalmente contextualizadas. Depois de assistir o filme, você perceberá que não havia outra forma de o filme ser feito a não ser apelando para a comédia.

A proposta ecológica do filme é genial - além de inovadora para a época - , e, além de passar uma mensagem bonita, realmente faz pensar na "arrogância humana" (como dito pelo Sr. Spock).
Um ótimo filme e que, justamente por não se levar tão a sério, acaba sendo um dos melhores da saga - e, de quebra, uma ótima opção pra iniciar quem nunca viu Jornada nas Estrelas.

Nota: 8


5 cenas interessantes:
- Spock "meio doido" no início do filme, falando coisas sem sentido
- Spock dando o "golpe vulcano" num punk que leva um rádio portátil com o volume no máximo (e sendo aplaudido por isso)
- Qualquer cena em que McCoy apareça
- Chekov e Uhura perguntando para as pessoas na rua (incluindo um guarda) onde eles poderiam encontar navios nucleares
- Scotty tentando se comunicar com um computador


1989 - Jornada nas Estrelas V: A Última Fronteira

Ficha Técnica:
Título original: Star Trek V: The Final Frontier
Direção: William Shatner
Roteiro: William Shatner (história), Harve Bennett (história), David Loughery (história, roteiro)
Duração: 107 minutos

Sinopse

É a data estelar de 8454.130 e o capitão Kirk, que está de férias, tem que enfrentar dois desafios: escalar o El Caputan, no Yosemite, e ensinar cantigas de acampamento para Spock. Mas o lazer é bruscamente interrompido quando um vulcaniano renegado rouba a Enterprise e a leva para desvendar os mais profundos segredos do universo.

Trailer


Considerações

Na minha opinião, é o pior filme. Não é um filme "terrível", como muitos dizem, mas bem inferior aos outros. A premissa é bem interessante, porém, percebe-se que alguns trechos do filme foram feitas "nas coxas". Além disso, o filme tem algumas cenas absurdas, como ver Kirk escalando a montanha no início do filme.

O maior pecado do filme é, com certeza, o visual: iluminação mal feita na maior parte do filme e efeitos especiais piores que o do primeiro - parece apenas um episódio da série clássica. O filme acaba exagerando na comédia. Se, no quarto filme, as cenas engraçadas eram bem contextualizadas, neste aqui chegam a incomodar.

Não acho que o filme seja péssimo, como muitos dizem, pois tem algumas cenas interessantes, além do final. O filme resgata o espirito da série clássica, que havia sumido depois do primeiro filme. Um bom filme, apenas.

Nota: 6

5 cenas interessantes:
- Kirk, Spock e McCoy cantando em volta da fogueira, no início do filme
- Qualquer cena em que McCoy apareça
- Uhura cantando e dançando semi-nua, para atrair os soldados inimigos
- A cena em que McCoy enfrenta seus medos (um ótimo jogo de iluminação)
- O final do filme, quando encontram "deus"


1991 - Jornada nas Estrelas VI - A Terra Desconhecida

Ficha Técnica:
Título Original: Star Trek VI: The Undiscovered Country
Tempo de Duração: 112 minutos
Direção: Nicholas Meyer
Roteiro: Nicholas Meyer e Denny Martin Flinn, baseado em estória de Leonard Nimoy, Lawrence Konner e Mark Rosenthal
Produção: Steven-Clarles Jaffe

Sinopse

Desgastados com a constante guerra travada ao longo dos anos, a Federação Interplanetária e o Império Klingon planejam uma conferência de paz. Insatisfeitos com esta possibilidade, alguns poderosos tramam o assassinato do Chanceler Klingon Gorkon, que será escoltado à Terra pela tripulação da Enterprise.

Trailer


Considerações

Se contextualizarmos o filme, ficará fácil de perceber a clara aluzão ao final da Guerra Fria. O filme trata de forma genial temas como preconceito contra os "inimigos", conspirações, o medo da mudança - no caso, a guerra acabar - entre outros. Talvez seja o filme mais inteligente da saga.
A premissa, por si só, já é interessante, ao mostrar o império Klingon cedendo à Federação pois, graças ao "incidente lunar", não terão como se virar e, muito menos, sustentar a guerra.

Todo o filme é muito bem realizado. Os efeitos estão excelentes, as cenas são bem dirigidas, o roteiro cheio de mistério e muito bem apresentado. O filme tem um ritmo tenso, que não diminui até os momentos finais.

A divisão do filme em duas linhas deixa o filme mais interessante. De quebra, mostra que o universo de Jornada nas Estrelas não é tão perfeito como parecia. Talvez o melhor filme da saga. Memorável.

Nota: 10

5 cenas interessantes:
- O jantar com os tripulantes da Enterprise e os Klingons (mais incômodo do que isso, impossível)
- A invasão na nave Klingon
- O julgamento de Kirk e McCoy pelos Klingons
- A batalha da Enterprise e da Excelsior contra a nave Klingon
- Spock lendo a mente da vulcana (a cena é tensa, assistam ao filme pra entender)


Fontes:
www.adorocinema.com
www.cinemacomrapadura.com.br
www.cineplayers.com

sexta-feira, agosto 14, 2009

Primeiras Impressões - Filme: Quem quer ser milionário?


É difícil ser imparcial depois de assistir um filme como esse.

O diretor Danny Boyle fez realmente um ótimo trabalho (melhor do que Trainspotting, por exemplo). Apesar da grande semelhança com o filme "verde-e-amarelo" Cidade de Deus, são filmes diferentes; não vou tirar o mérito de nenhum deles. Porém, concordo com Maurício Saldanha, do Cinema com Rapadura: o Oscar não precisava ter esnobado Cidade de Deus.

Enfim, voltando ao filme. Lá vai minhas considerações:
Fotografia fantástica, montagem e edição ágil, interpretações muito boas, excelente roteiro e direção. Destaque para o ator que interpreta o Jamal adulto (Dev Patel). É de uma autenticidade incrível!
A única coisa que me incomoda são alguns ângulos de câmera tortos, que são usados bastante em algum momento do filme, mas nada muito relevante.


A história, pra quem não sabe, começa com Jamal sendo "interrogado" por um policial, perguntando pra ele como conseguiu chegar na pergunta de 10 milhões de rúpias do programa de TV. A partir daí, ele conta a vida dele, e as coincidências que o levaram a sempre saber a resposta certa (mesmo sendo um favelado praticamente analfabeto...).

Há quem diga que o filme se sustenta pela "estética da pobreza", o que seria um grave defeito. Tenho minhas dúvidas.

Concluindo: é um ótimo filme. Mesmo que você seja cético, assista! Com certeza vai valer à pena, seja por um bom ou um mau motivo.

Horizontes claros, navegantes!

PS.: continuarei minha postagem sobre o Mario posteriormente. Precisei escrever este post antes.

Recomendações:
renatofelix.wordpress.com (encontrei por acaso, ótima resenha)
Nerdcast episódio149 (ótimo Podcast. Neste episódio, Maurício Saldanha emite sua opinião)
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