domingo, setembro 27, 2009

Titanic: A Grande Injustiça

Por: Maurício O. Freire
















Essa manhã me peguei assistindo a mais uma exibição, pela TV Record, de uma das grandes obras do cinema americano: Titanic, de 1997 de James Cameron. E, enquanto me atia aos detalhes das cenas trágicas, ricas em detalhes e com uma carga dramática impressionante, me parei para refletir sobre o quão injustas muitas pessoas foram com esse filme a partir do momento que a “grande febre” foi perdendo intensidade.

Quem é que não se lembra do fenômeno que o filme foi na ocasião de seu lançamento – cinemas abarrotados, filas gigantescas em todas as sessões. Na TV, em muitas emissoras, eram exibidos documentários diversos sobre a tragédia ocorrida no inicio do século passado e que deu origem ao filme, e como o mesmo fora produzido (todo o esforço empregado pela produção, o orçamento necessário e etc). Muitos o consideravam o melhor filme de todos os tempos, e afirmavam se emocionar toda vez que o assistiam; inclusive gente famosa e formadora de opinião.

Sendo assim, por que, hoje, muitas pessoas nem se quer se lembram dele quando questionadas sobre quais filmes consideram os melhores já produzidos? Por que ele deixou de pertencer a listas dos mais bem elaborados e notáveis, na opinião geral? Por que criticam emissoras como a Record sempre que elas decidem exibi-lo, novamente, em sua grade de programação?

Talvez a mesquinhez de pessoas que se esforçaram em encontrar erros (pequenos) na obra, tentando provar que ela – apesar de grandiosa – ainda é imperfeita, tenha contribuído, em parte, para que ela caísse no esquecimento. Mas ai eu pergunto: é possível criar uma produção dessa grandeza, utilizando o mínimo de recursos gráficos (lembremos que uma réplica imensa do navio foi construída no México, com um tanque gigantesco) de forma que ela fique 100% perfeita? Sem falarmos na qualidade da história, que divertiu e emocionou talvez a todos que acompanharam as quase três horas de projeção.

Que ser humano, por mais talentoso que seja, e por mais recursos disponíveis que possa empregar, é capaz de atingir a perfeição? Me refiro, aqui, principalmente ao ramo cinematográfico. É uma pena quando as pessoas deixam de enxergar o conjunto da obra, sua intenção e todo o esforço empregado e passam a ver apenas os erros, criticando e questionando a capacidade dos seus realizadores. A essas pessoas, eu gostaria apenas de dizer: tentem fazer melhor!

E, se tivesse que escolher uma palavra diferente das que utilizei anteriormente para descrever o filme Titanic, eu escolheria: memorável.

sábado, setembro 26, 2009

Olhar da Semana: Dina

Por: Maurício O. Freire

Dina é funcionária Pública da cidade de Diadema, onde exerce a função de Técnica Administrativa. Tem 34 anos, é casada, mora em São Paulo com a família. Se considera uma pessoa com gosto diversificado para a arte, sendo bastante eclética no que diz respeito à música. Também adora ler (livros de ficção e os Clássicos da Literatura Brasileira), ver filmes e ir ao teatro.


JO: Você se considera uma pessoa Culta?
Dina: Sim, pois busco varias formas de me manter atualizada e de me entreter com algo que possa contribuir para minha formação intelectual.

JO: Para você, Arte está associada ao entretenimento?
Dina: Sim, pois deve ser, acima de tudo, algo prazeroso.

JO: Qual tipo de expressão artística você admira mais?
Dina: todas: Música, Dança, Teatro e Exposições.

JO: E com que freqüência você procura ir a lugares onde você possa ter esse contato com a arte?
Dina: Sempre que posso. Pelo menos uma vez por mês.

JO: Qual experiência mais te marcou até agora?
Dina: Uma apresentação que vi do Holiday on Ice.

JO: E o que você gostaria de ver algum dia?
Dina: A um espetáculo do Cirque du Soleil.

JO: Qual artista você adimira mais, seja Pintor, Cantor, Ator, Diretor ou Escritor? E por quê?
Dina: Dan Brown. Pela criatividade, o talento para escrever suspense e pelo dinamismo das suas histórias, que não ficam paradas e cansativas.

JO: Quais filmes você mais gostou e recomenda:
Dina: A Cor Púrpura (de 1985 com a Whoopi Goldberg e direção de Steven Spielberg), Pela reflexão que ele propõe quanto à questão do preconceito racial. E Seven (de 1995 com Brad Pitt e Morgan Freeman e direção de David Fincher), devido ao final surpreendente e todo o suspense e tensão do filme.

JO: E quanto a séries de TV. Alguma que você gosta e recomenda?
Dina: CSI, por conta dos enigmas e das investigações dos crimes, em si. E Plantão Médico, pelos temas diferentes abordados a cada capítulo.

JO: Por que a arte deve fazer parte do dia-a-dia das pessoas?
Dina: Porque é através dela que nós mantemos nossa mente aberta, nos permitindo novas experiências e um aprendizado constante. Só assim podemos nos tornar pessoas melhores.

Olhar da Semana: Nilva

Por: Maurício O. Freire


Nilva Helena tem 40 anos. É funcionária Pública há 7 anos, formada em Direito. Casada, mora em Santo André com o marido – seu parceiro de programas culturais. Adora cinema, teatro e procura esse tipo de entretenimento pelo menos duas vezes por mês.

JO: Você considera a arte importante para as pessoas? Por quê?

Nilva: Sim, fundamental. Ela faz parte da essência do ser humano.

JO: Qual filme você acha que te marcou mais e que você recomendaria?

Nilva: Um Sonho de Liberdade (de 1994 com Tim Robbins e Mogan Freeman com direção de Frank Darabont) pois mostra o esforço de um prisioneiro em provar sua inocência, lutando contra a injustiça e a corrupção.

JO: E tem algum músico que você admira?

Nilva: Emilio Santiago, pela voz maravilhora e a “roupagem”que ele dá às músicas que interpreta. E o compositor João Bosco, que considero muito talentoso.

JO: Com qual estilo literário ou escritor você se identifica mais?

Nilva: Sidney Sheldom e Daniele Still, porque adoro romances.

JO: O que ou quem você gostaria de ver de perto um dia?

Nilva: Os espetáculos da Broadway.

segunda-feira, setembro 21, 2009

Curta de animação surrealista: Neighbours




Norman McLaren desenhando no filme

O projeto Cineclube, da cidade de Santo André (SP), tem uma proposta interessante: divulgar filmes fora do circuito comercial. Filmes independentes, que jamais seriam vistos por uma pessoa comum, pois são filmes fora de catálogo.

Numa das vezes que eu e um amigo meu fomos, assisti a um documentário sobre Norman McLaren, um diretor de curtas metragens de animação.

Pioneiro do cinema e fundador do departamento de animação do National Film Board of Canadá (NFB/ONF), Norman McLaren (1914–1987) é um dos maiores nomes da história do cinema de animação; um artista cujo brilho, criatividade e consciência social continuam a influenciar os cineastas até hoje. Desde as primeiras experiências cinematográficas na Escócia em 1933 até seu último filme no NFB/ONFem 1983, o conjunto das obras de McLaren revela talento e criatividade extraordinários, bem como profundas raízes humanistas.

McLaren era artista complexo e criador prolífico, e abriu novos caminhos e possibilidades dentro de um leque amplo de mídias e estilos. Foi um mestre do “filme direto” – ao desenhar e riscar no celulóide, criando até mesmo sons sintéticos ao desenhar sobre pistas ópticas sonoras. Abriu caminho na técnica chamada pixilation, na qual atores e objetos são filmados quadro a quadro e transformados em marionetes. Foi pioneiro na “música visual”, explorando novas maneiras para criar representações visuais da música que ele tanto amou, e outras vezes explorou o movimento puro. Cinema abstrato, surrealista, dança – nenhuma área ficou ausente da incansável imaginação de McLaren.

Norman McLaren, acima de tudo, era movido por um profundo compromisso com o pacifismo, os direitos humanos e a justiça social. Da mesma maneira como foi um inovador na forma, ele liderou a fusão da arte com a consciência social, e este legado inspirou gerações de cineastas engajados em questões sociais.

Fonte: Canadá Internacional

Um dos curtas que me chamou a atenção foi Neighbours. Feita com a técnica de Pixilation (descrita acima), a animação mostra como uma amizade entre vizinhos pode transformar-se em inimizade pela cobiça material e "territorial" - neste caso, uma flor que nasce entre o gramado das duas casas(!).

É interessante extrapolar a idéia do filme para algo maior, pois ele faz uma crítica ao instinto humano de procurar motivos (ou desculpas) para entrar em brigas (ou guerras).

Uma ótima animação, inovadora (mesmo para os tempos atuais), surreal, bem-humorada e imprevisível. Ganhador do Oscar de 1953.



Se você curtiu, fique tranquilo, pois no Youtube tem muito mais trabalhos de Norman McLaren!

Abraços!

Links recomendados:
Mini-críticas para mini-filmes: recomendação e exibição de curtas.
Animamundi: assista algumas das animações premiadas no Animamundi.
Portacurtas: portal de exibição de curta-metragens brasileiros.

domingo, setembro 20, 2009

Análise: Up - Altas Aventuras


Título original: Up
Gênero: Animação
Duração: 96 min
Origem: EUA
Estréia - EUA: 29 de Maio de 2009
Estréia - Brasil: 04 de Setembro de 2009
Estúdio: Pixar Animation Studio/Walt Disney Pictures
Direção: Pete Docter, Bob Peterson (Monstros S.A)
Roteiro: Bob Peterson
Produção: Jonas Rivera

Sinopse

"Os estúdios Walt Disney Pictures e Pixar Animation levam as plateias do cinema para bem alto e bem longe com seu show de fantasia "Up – Altas Aventuras". Apresentado em 3D, o filme conta a edificante história de um velhinho viúvo chamado Carl Fredricksen, com seus setenta e poucos anos de idade, passou a vida sonhando em explorar o planeta e viver plenamente a vida. Até que um plano mirabolante invade sua cabeça teimosa: fazer sua casa inteira levantar vôo e transportá-la dos Estados Unidos a um lugar em meio às montanhas da floresta venezuelana. Um erro de percurso faz sua casa cair e ele tem de seguir sua viagem a pé, com a ajuda de um escoteiro gordinho e muito dedicado. Mas nessa jornada eles vão enfrentar muitos vilões, bestas e situações absurdas."

Análise

Atualmente, não se discute se um filme da Pixar é bom ou ruim. Se discute se ele é melhor ou pior que Wall-e. Você pode duvidar da importância de Wall-e para o cinema mas, com toda certeza, foi um filme ousado, que revolucionou a forma de se fazer animação. Por isso, está sendo usado como referência.

Quanto a Up, alguns críticos influentes, como Pablo Villaça, dizem ser inferior ao Wall-e. Outros, como o Érico Borgo, do Omelete, disse que "provavelmente, a Pixar nunca vai atingir seu auge".

Eu, como fã de animação e como fã da Pixar, devo minha opinião: não é melhor que Wall-e e nem que Ratattouile, mas é melhor que Monstros S.A. e Procurando Nemo, por exemplo.

O início, que mostra a vida de Carl desde a infância até velhice, é de uma sensibilidade incrível. É sublime, espetacular.

Depois desta pequena, porém importante, introdução, o filme mostra um dia comum na vida de Carl. E, como de costume, o imprevisível: é interessante a cena que mostra o local onde Carl vive, causando uma surpresa - sendo inclusive uma cena engraçada.

Um pouco depois, quando a viagem propriamente dita começa, o filme muda de ritmo e clima, mas sempre com a sutileza característica da Pixar. Ele fica bem mais alegre - e também divertido e cheio de situações perigosas, típicas de filmes de aventura.




É incrível, também, a capacidade deles de criar personagens marcantes. Além do velhinho e do escoteiro mirim Russel, aparecem Kevin (uma ave gigante que é fêmea, apesar do nome) e Dug, um cão carente (aparentemente da raça Golden) e que fala (de uma forma curiosa e interessante, que não vou contar aqui).




Neste momento, surgem vários outros personagens - incluindo vários cachorros "falantes". A quantidade de cachorros falantes, e seus comportamentos, dão a sensação do filme ser mais infantil do que Wall-e - não que isso seja um defeito.

O único defeito, que faz com que o filme não seja tão bom quanto Wall-e, é a previsibilidade em alguns trechos do filme. Nada demais, afinal, as qualidades são tantas que enfraquecem os defeitos.

É interessante também observar a simbologia presente em algumas cenas: a casa voanto, que representa a liberdade alcançada na terceira idade, e a cena em que os móveis vão sendo jogados fora, que representa a libertação do passado - esta segunda, inclusive, é sublime.

Há um outro detalhesinho também, mas nada muito importante, que devo citar: a qualidade da animação da Pixar. Simplesmente embasbacante! O comportamento dos cães é idêntico aos cães reais. Vale lembrar que o filme está sendo exibido em 3D, que faz uma diferença grande, aumentando muito a imersão do filme.

Conclusão

É um excelente filme, recomendadíssimo para todo tipo de público, mas principalmente, pra quem é fã de animação. Apesar de não ser tão revolucionário quanto Wall-e, prova que a Pixar ainda tem muito talento, e que eles não dependem de "continuações" nem de "contos de fadas adaptados para o cinema", e que a ousadia continua sendo uma característica importante em suas criações.

Nota: 9

Trailer:
Youtube

Fontes:

Imagens, ficha técnica e sinopse:
Cinema com Rapadura

Análises comentadas no post:
Omelete
Cinema em Cena
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